El Luche, 2012

Obra colaborativa para piano feita na residência em Valparaíso / CRAC Chile |
Collaborative piece for piano developed in residency in Valparaiso / CRAC Chile

Bolsa | Grant: Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural
vídeos/blog

Agradecimentos | Special thanks: Soledad Leon, Alejandro Pérez, Carlos Guzmán, Maria Paz Gardiazabal, Paulina Varas, Jose Llano, Valentin Valenzuela, Chantal de Rementería, Guillermo Hinzpeter.



El Luche, 2012

Obra sonora | Sound piece
1'20"
Piano: Luiza Baldan, Catalina Jiménez Torres
Composições | Compositions: Pablo Saavedra, Artistha hALASIUS, Soledad Figueroa, Carlos Albarracín, Rosario Salas, Grupo Aurha, Gonzalo Palma, Nico Espinoza, Matiaz Morandi, Jorge, Claudio, Mauro Gutiérrez, Catalina Jiménez Torres.
Performance: Teatro Condell, Valparaíso, 28.07.2012
Performance video: El tren más lento del mundo

(Trechos do texto El Luche ) | (texto versión en español)

Encontrei o trem mais lento do mundo quando corria pelo Paseo Weelright na tarde do domingo 22 de julho. Daquilo que parecia um pesadelo, entre pichações e vidros quebrados, se ouvia Clair de Lune, de Debussy. Uma placa anunciava a venda de café e chá, o que me encorajou a subir as escadas enferrujadas. Lá de cima, o mar se via, se ouvia e se sentia por todas as janelas, enquanto o metrô que ainda parte rumo a Limache buzinava veloz nos trilhos ativos da ferrovia. Em um canto iluminado pelo sol filtrado por cortinas vermelhas, notas musicais saíam de um piano vertical alemão pelas mãos de um filósofo colombiano. Não era para menos a internacionalidade do momento, considerando um comboio que jaz diante de um dos portos mais importantes da História da América do Sul. O trem é o mais lento do mundo porque está ancorado no tempo. Ao embarcar, fui transportada a um passado impossível de localizar, em suspensão, distanciando-me quase que de imediato da realidade em que estava imersa. Não percebi a noite chegar nem a aproximação de outros curiosos como eu. Só acabou o feitiço quando o piano calou.
Um chileno de descendência basca, Carlos Albarracín, mora no trem e oferece aulas de música, ali mesmo, na ferrovia em frente ao mar, entre as histórias que só alguns poderiam contar. O único piano com que tive contato na vida foi o do meu pai, que também se chamava Carlos e circulava entre pescadores. Nunca aprendi o instrumento, mas naquele vagão, sem referências claras do tempo local e protegida dos contraventores que me afligiam, comecei a tocar. No piano, que em italiano significa "suave", as recordações brotavam em turbilhão e as imagens jorravam pelos dedos incapazes de reproduzi-las corretamente. Sem métrica certa, a lógica não era a da completude da ação, mas a do gesto, a da aprendizagem pouco didática conduzida por um senhor de nome Carlos, que pouco a pouco me apresentou uma nova possibilidade de viver Valparaíso.